quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Filme sobre imigração libanesa é gravado em Paulínia


“A Última Estação” reaviva a cultura dos descendentes que vivem no Brasil


Marcela Feriani


No mesmo ano em que são comemorados 130 anos da imigração libanesa no país, está sendo rodado em Paulínia o filme “A Última Estação”, uma co-produção entre a ASACINE e a Cinevideo que retrata a história de um menino libanês que é obrigado a deixar sua terra natal e migrar com a família para o Brasil. As gravações tiveram início em 1º de setembro e o filme tem previsão de estréia para o final do próximo ano.


“A Última Estação” é uma narrativa bem-humorada e poética sobre a trajetória de vida de Tarik (Mounir MaAsri), que ainda menino migra para o Brasil com sua família em um navio italiano. Meio século depois desse choque cultural, ele resolve reassumir sua condição de muçulmano, motivado pela morte da mulher e pelos preconceitos em relação a sua religião depois do ataque terrorista às torres gêmeas do World Trade Center. Ao lado de sua filha temporã, Tarik inicia uma nova jornada, cruzando o país de São Paulo a Belém do Pará, disposto a resgatar histórias e tradições e os velhos companheiros de viagem.


Dirigido por Marcio Curi e com roteiro de Di Moretti, o longa tem à frente de seu elenco o ator libanês Mounir MaAsri, interpretando Tarik em sua vida adulta, e a atriz e poetiza brasileira Elisa Lucinda, no papel de Ciça.


A equipe apresentou o projeto do filme durante a terceira edição do Festival de Paulínia, ocasião em que realizaram a leitura dramática do roteiro no Teatro Municipal da cidade, a fim de recolher impressões de públicos distintos que poderão ser utilizadas em sua redação final. “Essa interação contribui para melhorar a qualidade do texto e conseqüentemente do filme, já que o roteiro é peça-chave para a condução da narrativa da história. As únicas interfaces do roteirista durante o projeto do filme são geralmente o diretor e o produtor. Fora isso, seu trabalho é recluso e isolado”, explica o roteirista Di Moretti.


O projeto está orçado em R$ 2,5 milhões, sendo que 60% de suas filmagens serão realizadas em Paulínia e o restante em Santos, Ilhéus e no Líbano.


Para Mônica Monteiro, Carol Guidotti e Luciana Pires, diretoras da Cinevideo, e Márcio Curi, diretor da ASACINE, esta produção poderá ser o início de outros projetos com o mundo árabe. “Embora pareçam culturas totalmente antagônicas, temos na cultura brasileira influências muito marcantes herdadas do mundo árabe, contribuições que vão da arte até a culinária, mas que muitas vezes passam despercebidas. Uma produção como esta, que terá tomadas realizadas nos dois países, ajudam a resgatar esses laços, essa conexão cultural”, destaca Luciana.


Não há estatísticas oficiais, mas se estima que até 10 milhões de árabes e descendentes vivam atualmente no Brasil. Thiago Amin, arquiteto urbanista, é neto de libanês e alega não ter muito conhecimento sobre as origens e costumes de sua ascendência. “Acredito que o maior vestígio árabe presente em minha vida esteja relacionado à comida. Nas reuniões de família é comum encontrar, por exemplo, babaganush, que é uma pasta de berinjela e homus, uma pasta de grão de bico com tempero sírio”, conta Amin. O arquiteto acredita que “A Última Estação” reavivará as origens libanesas ao redor do país: “Esse tipo de produção faz com que os descendentes que vivem aqui se sintam parte de uma cultura especial e diferenciada”.





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