Por Reginaldo Crivari
Em meio à confusão deste corre-corre surge na multidão o contramestre Clodoaldo Donizeti Martins, com berimbau nas mãos, acompanhado do Prof. Alan Porfírio dos Santos que seguido por outros capoeiristas se posicionam anti o tablado. Com suas identificações, choqualhos, pandeiros, atabaques, berimbaus e outros instrumentos, eles darão ritmo e alegria nas apresentações de roda de Capoeira do Grupo Cativeiro, no saguão de entrada do terminal.
As pessoas não imaginam e derrepente sem esperar, são surpreendidas. O beri
mbau marca o ritmo que ecoa na imensidão do recinto ao som da voz do contramestre Martins. Os olhares se despertam procurando o motivo da doce canção que embala o cabisbaixo da longa espera de cada um. “Santo Antonio é protetor, na barquinha de Noé. Olha, a cabra me mordeu, São Bento”. Estão todos convidados a participar, mestres, professores, alunos, crianças, passageiros e usuários do local.
Assim acontece todo segundo sábado de cada mês, às 10h da manhã no Projeto “Capoeira Roda de Boas Vindas” que durante uma hora, leva as pessoas do Terminal Ramos de Azevedo, o gingado e a técnica dessa modalidade. Projeto que engloba parceria com a Prefeitura de Campinas e Associação Desportiva e Cultural Grupo Cativeiro Capoeira que há 32 anos tem essa manifestação cultural no Brasil e no mundo, salientando o respeito à cultura brasileira e os valores às diferentes etnias.
Curiosidade e certo receio das pessoas em observar, a roda começa bem aberta e de longe ensaiam um bater de palmas acompanhando o ritmo que aos poucos vão criando intimidade, uns com os outros. Entre eles, alguns se destacam e logo se aproximam do tablado, já conhecem o bailado e contagiados pela emoção juntam se ao grupo.
As pessoas não imaginam e derrepente sem esperar, são surpreendidas. O beri
Assim acontece todo segundo sábado de cada mês, às 10h da manhã no Projeto “Capoeira Roda de Boas Vindas” que durante uma hora, leva as pessoas do Terminal Ramos de Azevedo, o gingado e a técnica dessa modalidade. Projeto que engloba parceria com a Prefeitura de Campinas e Associação Desportiva e Cultural Grupo Cativeiro Capoeira que há 32 anos tem essa manifestação cultural no Brasil e no mundo, salientando o respeito à cultura brasileira e os valores às diferentes etnias.
È o caso de Juliana Robeles, química de São João da Boa Vista, capoeirista há cinco anos, que adora o gingado. Eufórica pede para tocar o berimbau. Ana Cristina de dois anos surpreende! Com ingenuidade de criança, salta do colo de sua mãe rasgando o espaço da arte e segue em direção dos pandeiros e berinbaus, acomodando se entre eles como se velhos amigos tivessem se encontrado. Os olhos entre abertos despertados por Ana Cristina, a roda vai se fechando ao som da música e da voz do contramestre Martins que toma conta do recinto.
Numa fusão de sentimentos entre o público e capoeiristas o Porfírio se emociona e se envolve no jogo. Praticante deste esporte há 12 anos participa do segundo evento do projeto roda de boas vindas e diz que este evento se torna um encontro muito forte com público, porque na capoeira se tem a dança, a luta, a expressão corporal e a música que chama a atenção do brasileiro que já é engajado neste ritmo. Porfírio explica que "A capoeira se divide em dois grupos, os regionais, fundado por Manoel dos Reis Machado o mestre Bimba, na época de 1930 e a capoeira de Angola ou angoleiros, de origem mãe desde a época da senzala. Mestre Miguel Machado é um dos idealizadores a frente do grupo cativeiro, faz parte da FICA, Federação Internacional da Capoeira e mescla os dois tipos, regional e angolano com novos movimentos de luta, presente em países da Europa e América Latina".
Segundo Porfírio, "A capoeira foi inventada para tirar as pessoas da escravidão e hoje vivemos outro tipo de escravidão, a mental, do trabalho e do compromisso. Crianças com doze anos decidindo se vai ser médica com 25 ou com 30 anos, responsabilidade que ainda não lhe cabe com essa idade e a capoeira vem pra isso, tirar este foco é um momento de vadiagem de ficar na roda de poder brincar é uma luta onde você não tem necessariamente que machucar o seu adversário".
O contramestre Martins destaca a disciplina como principal componente da capoeira. " Nela, a pessoa aprende principalmente se for criança, a respeitar e obedecer a normas que são importantes de nossa vida. A criança consegue se expressar brincando, bate palmas, cantam e soltam as energias, tarefas que nem sempre na escola às vezes se consegue". Interessantes são os apelidos, todos têm Ceará, Barba, Mamute, Zangão, Inglês, Caldeira, Animal e Sorriso. Muito cuidado se toma quanto aos apelidos, Martins diz que as famílias também fazem parte da capoeira e os apelidos podem agradá-los ou não. Por isso em nosso convívio, olhando por este lado, existe toda esta nossa preocupação com os apelidos.
A versão mais provável é que a capoeira surgiu em nosso páis trazido de vários lugares da África com as diferentes culturas dos próprios negros que foram aqui escravizados. A partir desses ritos, danças e lutas, surge no Brasil à capoeira no qual a finalidade além de uma forma de estilo, dança e ritos, era também uma luta usada pelos escravos em sua própria defesa, como luta.
Em meio às pessoas, ao lado do conjunto de pandeiros e atabaques, segurando uma vara de bambú e uma mochila, o Professor Charles Raimundo de Florianópolis participa da roda enquanto aguarda sua partida. Praticante do Maracatú outra atividade cultural ele diz que a capoeira é uma das mais lindas manifestações que o povo africano deixa para o brasileiro, uma coligação de luta, uma filosofia, dança e uma expressão de resistência.
Além dessa atividade, também são ministradas aulas gratuitas de uma hora de capoeira todas as sextas-feiras- às 19h30 com 10 vagas disponíveis para qualquer faixa etária. Os alunos aprenderão as técnicas da arte e, ainda vão participar de uma roda de papo sobre a história da capoeira na cultura brasileira. Inscrições no Terminal Rodoviário nos dias de aulas com Prof. Porfírio, coordenador do curso.
Envie email - Professor Alan Porfírio
aln.porfirio@gmail.com
Além dessa atividade, também são ministradas aulas gratuitas de uma hora de capoeira todas as sextas-feiras- às 19h30 com 10 vagas disponíveis para qualquer faixa etária. Os alunos aprenderão as técnicas da arte e, ainda vão participar de uma roda de papo sobre a história da capoeira na cultura brasileira. Inscrições no Terminal Rodoviário nos dias de aulas com Prof. Porfírio, coordenador do curso.
Envie email - Professor Alan Porfírio
aln.porfirio@gmail.com
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